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Anais do
IV Seminário Nacional História e Patrimônio Cultural
O Patrimônio Cultural como ofício da História
Goiás, 10 a 13 de outubro de 2022
Organizadores Renato Fonseca de Arruda Cristina Helou Gomide Raul Amaro de Oliveira Lanari
Associação Nacional de História - ANPUH Grupo de Trabalho História e Patrimônio Cultural
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Associação Nacional de História (ANPUH-BR)
Grupo de Trabalho História e Patrimônio Cultural da ANPUH-BR (Gestão 2021-2023) Associação Nacional de História, seção Goiás (ANPUH-GO)
Grupo de Trabalho História e Patrimônio Cultural (ANPUH-Goiás) Universidade Federal de Goiás (UFG)
Faculdade de História - UFG
Programa de Pós-Graduação em História — PPGH/UFG
Mestrado Profissional em Ensino de História — UFG
LUPA — Grupo de Pesquisa/CNPq Lugares e Patrimônios
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) Cine Teatro São Joaquim
Secretaria de Estado de Cultura de Goiás — SECULT-GO
Universidade Estadual de Goiás - UEG
PROMEP - Mestrado em Estudos Culturais, Memória e Patrimônio - UEG TECCER — UEG
APOIO CAT — Albergue da Juventude da Cidade de Goiás Prefeitura Municipal da Cidade de Goiás
COMISSÃO ORGANIZADORA
Yussef Campos (UFG) — Coordenador do GT (Gestão 2021-2023)
Raul Amaro de O. Lanari (UFG) — Coordenador do GT
Cristina Helou Gomide (UFG) — Coordenadora do GT
Renato Fonseca de Arruda (SERPEGEO/UNEMAT/ FEDPCB-MT) - Coordenador do GT Maria Dailza da Conceição Fagundes (PROMEP-UEG)
Natane Rincon Azevedo (PPGH/UFG)
LUPA - Grupo de Pesquisa CNPq Lugares e Patrimônios
COMISSÃO CIENTÍFICA Cristina Helou Gomide Yussef Campos
Raul Amaro de O. Lanari Renato Fonseca de Arruda
CAPA Renato Fonseca de Arruda Isabella Sabóia
CONTRACAPA Isabella Sabóia Yussef Campos
DIAGRAMAÇÃO / PROJETO GRÁFICO / FORMATAÇÃO / REVISÃO Renato Fonseca de Arruda
Raul Amaro de O. Lanari
Cristina Helou Gomide
FOTOGRAFIA DA CAPA E CONTRACAPA Renato Fonseca de Arruda Yussef Campos
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Os textos publicados expressam opiniões, resultados e pressupostos de
exclusiva responsabilidade de seus autores.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Even3 Publicações, PE, Brasil)
Seminário Nacional de Patrimônio Cultural: O Patrimônio Cultural como Oficio da História (4.: 2022 : Goiás, GO)
[Anais do] IV Seminário Nacional de Patrimônio Cultural: O Patrimônio
Cultural como Ofício da História [Recurso eletrônico]. /Organizado por
Renato Fonseca de Arruda; Cristina Helou Gomide e Raul Amaro de
Oliveira Lanari. — Goiás: ANPUH-BR, 2023.
ISBN 978-85-5722-545-9
1. Patrimônio Cultural. 2. Preservação. 3. História. I. Associação Nacional de História (ANPUH-BR).
CDD 363.69
CRB-4/1241
PROF Es
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Sumário APRESENTAÇÃO ER 10 PROGRAMAÇÃO CERA E Tl SIMPÓSIOS TEMÁTICOS)... ctisseseerarras cerevianaE sado padre EE Ra NENE EN A Enab EA E Ra Rea an 12
ST 01 - O patrimônio cultural brasileiro à luz das diversidades: novos:desafios:epistemolÓgICosS ss. ses esreemesesnrtn orar road E Rana PAPO RO REA na 13 Bens culturais móveis e elementos integrados à arquitetura e
os tombamentos dos terreiros: especificidades, particularidades e diferenças..................c 14 Virgínia Rodrigues Ferreira Barbosa
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) frente à problemática do tombamento de quilombos: tem lugar para as comunidades quilombolas?........... 26 Bruna Melo Santos
Cinema indígena no Brasil: a construção de um patrimônio cultural imaterial... 37 Maria Helena Japiassu Marinho de Macedo
Do verde para a pedra, de trás para frente, outras leituras do patrimônio arquitetônico franciscano RR 32
Maria Angélica da Silva / Ana Cláudia Magalhães
ST 2 - Patrimônio e Relações Internacionais em tempos de conflito .......................c..sssisiisi 64
Um olhar sobre as Normas de Quito a partir dos documentos dorArquivo /Noronha!Santosi(IBEPAINDES ses aan anna na Ran a 65
Carolina Martins Saporetti
A Red List da República Democrática do Congo: Patrimônio Natural Congolês em Perigo.............. 74 Wazime Mfumukala Guy Baudouin
Polycam e o poder de registro do patrimônio à palma da mão: a estratégia da unesco para salvaguardar a memória em meio à guerra da Ucrânia... 83
Alexandre Augusto da Costa / Leonardo Rosa Maricato Santos
Ouro Preto: de Monumento Nacional a Patrimônio Mundial. as relações de pertencimento e reconhecimento da comunidade local com a cidade-patrimônio................. 98
Isadora Parreira Ribeiro
ST 3 - O Ofício de ser Historiador do Patrimônio no Brasil contemporâneo: de lugares oficiais à periféricos e insurgentes ..................cc is iiceiseererereererereeaeraneraneranees 11 Pensar de dentro: contribuições de um “Historiador Profissional” na
revisão de premissas sobre o Tombamento de Brasília.................c si icieeeeeeererererarerarenaranarenos 112 Thiago Pereira Perpétuo
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Casa da Ponte - Itauçu/Goiás: símbolo de resistência para a construção do espaço de memória de uma cidade do sertão goiano................cccicciceserererererererereeeeneraneraneeaneos 127 Raissa Santos José
Patrimônios (In)Visíveis e inventários participativos da Fundação Museu Couros de Formosa/GO: patrimônio cultural, educação patrimonial, experiências e narrativas ...... 137
Marcelo Enéas de Melo Soares / Neemias Oliveira da Silva
ST 4 - Música E/Como Patrimônio Histórico, Artístico E Cultural No Brasil: Das: BráticasiMusicais/AosPACERvOS assessor ne rrenan tran tia anne n Pan A ES RR Renas Rana a aan 150
Procissões Mercedárias em Belém do Pará no século XVIII: religião, cantojerarquitetuma are os ess dio camera O RN RR q NR RA A RR a 151 André Alves Gaby / Paulo Castagna
A Santa Semana na primeira capital de Sergipe: estudo sobre Música Sacra Católica no século XIX a partir das memórias de Serafim Santiago (1860-1932).................. 166 Thais Fernanda Vicente Rabelo Maciel / Fernando Lacerda Simões Duarte
Coleção musicográfica do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo (1906-2015): histórico e projetos em curso................cceeereeereeeerera nora neeeneeeneeraceracenes 181 Paulo Augusto Castagna / Paulo Celso Moura
Acervos Musicais das Bandas Militares: estado atual e ações para a preservação do Acervo Histórico da Banda João Carlos Nazareth da Polícia Militar do Maranhão. ................... 195 Daniel Ferreira Santos / Paulo Augusto Castagna
Patrimônio Musical na Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais de Curitiba e no Arquivo da Arquidiocese: entre memórias e silêncios ....................... 204
Fernando Lacerda Simões Duarte
ST 5 - Patrimônio Cultural: História, Memória E Cultura Política.....................sssiti 218 Sobre os escombros do passado: patrimônio, memória e violência no alvorecer dalRepublicalBrasileiral (ISSOSIOS (0) ER 219
José Jorge de Oliveira Sobrinho
“Somos do Bairro de Campinas”: as relações de memória, identidade e poder no processo de tombamento do Estádio Antônio Accioly... 229 Waléria Caldeira de Paula
Os museus de memória como vertigens da consciência feliz................ceseeceeeeeeereeranerneos 245 Giovane Rodrigues Jardim
O produto da escrita epistolar e seu reconhecimento público como patrimônio: uma leitura das cartas da prisão de Luiz Carlos Prestes................ ii ieeeeseeerererarerarerareraranos 261
Cristiéle Santos de Souza
ST 6 — O uso do patrimônio cultural e o ensino de história na sala de aula e
nos lugares não formais de aprendizagem: retomando a discussão ....................ecceesseesseesseesseos 276 O abandono do patrimônio histórico-cultural como fonte de aprendizado nas escolas .................... 2 Aguimar Moreira Carvalho
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Os desafios da preservação do Art Déco em Goiânia... iris ererererereeeesareraneraneraneenaaos Aline de Souza Dias
Educação patrimonial nos Territórios Culturais do Distrito Federal - a experiência do Projeto Territórios Culturais ...............ssiiscieceecererererererererareaeesaneraneraneranereneos
Michelle de Carvalho Cheibub
ST 7 - Patrimônios difíceis e passados traumáticos na produção da História............................
Travessias do Atlântico: um ensaio teórico sobre a história e memórias sensíveis do tráfico de africanos escravizados ..............iceeeeereeeneeeerererereaaeaeceerereseeaaeneeeeres Marcos Rafael Andrade de Melo
Museu Histórico de Jataí e o Clube 13 de Maio: entre memórias e exposição ...............s Michael Douglas dos Santos
ST 8 - Religião, Identidade e Patrimônio Histórico: Interfaces ..........................i.iiiii.
Identidade, memória e a relação do indivíduo com o patrimônio cultural religioso na cidade de Goiás... cererererereneeeaeeraeererarerarenerenerenarenos Lorrany Ribeiro de Souza
Folia de Reis na perspectiva da tríade “Memória, Identidade e Patrimônio Cultural” ..................... Tátila Roberta Sousa Santos Silva
Dos milagres e maravilhas: a construção de uma paisagem da alma no Convento de Santa Maria Madalena, Marechal Deodoro, Alagoas.................e
Ana Cláudia Magalhães / Maria Angélica da Silva
ST 9 - Construção de novas abordagens e perspectivas decoloniais de preservação do patrimônio cultural: instrumentos, metodologias e a contribuição da História................... Grupos centrais entre patrimônio e memória: o papel da escola na
preservação: dolCasarão a aire nr esa PR RARAS ARE PAN DAR DDR Mariana Cunha de Faria
Relações entre território e memória: a Serra Grande e o Parque Estadualido:Ibitipoca/M GA erre OE RR E Danielle Aparecida Arruda
Uimaiferida aberta nos Museus case a sata cam RiSS Sd a RR SO na O SOIS ANS UR Sn O RO Desirree dos Reis Santos
ST 10 - Patrimônio cultural, movimentos sociais e lutas por memória: educação e cultura como práticas políticas.................... ic iceireereererereereererareraneranees “Memória Não Se Remove”: resistência e luta da Vila Autódromo
na cidadeido Rio: desJanciro 222 a. ent dono nen, aee oo e o E a Gabriel da Silva Vidal Cid / Valeria Moura Toledo
O Programa Mais Cultura Nas Escolas e a democratização do patrimônio cultural......................... Jussara Duarte S. Dias
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Arqueologia e Educação Patrimonial: A importância da arqueologia em obras de infraestrutura urbana e restauro em cidades históricas — estudo de caso sobre a Cidade de Goiás...436 Jaslane Maria Castro
ST 11 - Patrimônio cultural no brasil e suas visualidades: transitando entre politicasjpúblicasiememórnias Ss 448
Das penas às flautas: inventário ornamental e instrumental do Povo Enawenê Nawê...................... 449 Paulo César Alves Júnior
Ações educativas na preservação do patrimônio cultural: atuação do Museu dolCatetinho/comiestudantesido EM ASA a ta ta 461 Artani Grangeiro da Silva Pedrosa / Neemias Oliveira da Silva
Ritmos, Vozes e (En)Cantos: Transitando entre políticas públicas e memórias nas antigasiterras de!Bonifimiz- esses rrcerta senao re ca Pan Re ore Re OR Da NS SAR DSO 470 João Guilherme da Trindade Curado / Tereza Caroline Lôbo
Para além do Art Deco: legislação urbana e instrumentos de proteção do patrimônio cultural no setor central (Goiânia-GO) ................. sir rerererereeeneeeaeerererenarenarenaranarenãs 480 Jordana Gouveia e Silva / Luana Nunes Martins de Lima
Gestão Documental: o acervo fotografico, filmico e de diários de campo doliotosrafolelcincastanlescolVonButikam er 492 Eduardo de Souza Barros / Keley Cristina Carneiro
O Museu Casa da Cultura de Itaberaí-GO enquanto lugar de memórias e espaço de ações de educação patrimomial................ ir rerererereeeaeeraceneranenareraraaaesaneraneraneraneos 505 Rodrigo Lúcio de Almeida
Preservando patrimônios por trás e através dos panos — memória e preservação das vestes da Procissão do Fogaréu na Cidade de Goiás... 511 Denize Maria dos Santos Freitas
Fiar memórias e tecer a História: o trabalho feminino de fiandeiras e tecedeiras como patrimônio cultural do Xixá................ ice rerererererererarerereneesaneraneraneraneos 20 Luana Nunes Martins de Lima / Jordana Pereira de Moraes
Fundação Cultural Frei Simão Dorvi: “lugar de memória” e de valorização do patrimônio cultural brasileiro...................s ires rererererereneeeaeererarerarenarenaranaranãs 539 Paulo Henrique Pereira Freitas / Keley Cristina Carneiro
PAC-Cidades Históricas: a importância da preservação histórica do Mercado Municipal............... 550 Ana Clara de Araújo / Keley Cristina Carneiro
Identificação, preservação e gestão do patrimônio cultural em Mato Grosso: trajetórias avançosteidesafios Fa e can nan aa RR aaa 564 Maria Bárbara Thame Guimarães / Jandeivid Lourenço de Moura
Paulina Onofre Ramalho / Carla Onofre Ramalho
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ST 12 - O lado subversivo do patrimônio.......................ccse css rsss cess res cerroeerecerecenererererecesacesacesanesda 595
Construindo memorias periféricas: coletivos populares, memórias e identidadesinaicidadeide; São; Baulo sa as a aan O a RR 596 Anderson Vannucci
O papel dos documentos na pesquisa sobre Arquitetura e Urbanismo emiRoraimaestratsoiasiparalpresenvação Ea emana eat na RR Re a 609 Claudia Helena Campos Nascimento / Deborah Rodrigues Fiorotti
Direito digital e gestão de memória: o uso das tecnologias na preservação e democratização da História da Justiça Goiana ................iicieeeeereserereraserarararenos 623 Warley Eterno dos Santos
Reflexões sobre os processos de formação de coleções etnográficas afro-brasileiras eiindigenas == a ada ano anca an a RR Da NR RENDAS CND a 634 Juliana Cintia Lima e Silva / Fernanda Lé de Oliveira
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COLEÇÃO MUSICOGRÁFICA DO CONSERVATÓRIO DRAMÁTICO E MUSICAL DE SÃO PAULO (1906-2015): HISTÓRICO E PROJETOS EM CURSO
PAULO CASTAGNA” PAULO CELSO MOURA:
Resumo. Esta comunicação visa apresentar um breve histórico e a situação atual da coleção musicográfica do antigo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo (1906-2006), declarada de utilidade pública por meio do Decreto do Município de São Paulo nº 47.080, de 14 de março de 2006, e oficializada como patrimônio da Fundação Theatro Municipal de São Paulo por meio da Lei Municipal nº 15.380, de 27 de maio de 2011, bem como o atual projeto para a organização, codificação e inventariação emergencial da Seção A, já higienizada e acondicionada, ainda que de forma provisória, em 506 caixas-arquivo e 66 pacotes, no Centro de Documentação e Memória do Complexo Theatro Municipal de São Paulo, à Praça das Artes (Avenida São João, 281). Também será apresentada a situação da Seção B, recolhida ao mesmo Centro de Memória por meio de um Termo de Entrega de Bens de 9 de abril de 2015 e provisoriamente disposta em 328 caixas de grande formato e 198 pacotes de medidas diversas, ainda em tratativas para futuro processamento. A relevância do projeto está no grande significado do acervo para o patrimônio histórico-musical paulista e brasileiro, tendo em vista não apenas a acumulação de documentos musicográficos impressos, destinados ao uso corrente por parte dos estudantes, mas também as inúmeras doações de documentos impressos ou manuscritos e acervos inteiros por bandas, ex-alunos, compositores ou suas famílias. Para as ações previstas foi celebrado um convênio entre a Universidade Estadual Paulista (UNESP), a Fundação Theatro Municipal de São Paulo e a Sustenidos Organização Social de Cultura, que atualmente administra as atividades educacionais e artísticas da referida Fundação.
Palavras-chave. Patrimônio musical histórico. Acervo musicográfico. Processamento arquivístico.
Abstract. This work presents a brief history and the current situation of the musicographic collection of the extinct Dramatic and Musical Conservatory of São Paulo (1906-2006), declared of public utility through the Decree of the Municipality of São Paulo n. 47,080, of March 14, 2006, and made official property of São Paulo Municipal Theater Foundation, through Municipal Law n. 15,380, of May 27, 2011, as well as the current project for the organization, coding and emergency inventory of Section A, already sanitized and provisionally conditioned in 506 file boxes and 66 packages, in the Documentation and Memory Center of the Municipal Theater of São Paulo, at Praça das Artes (Avenida São João, 281). It will be also presented the situation of Section B, transferred to the same Memory Center through a document of April 9, 2015 and provisionally arranged in 328 large-format boxes and 198 packages of different measures, still under negotiation for future processing. The relevance of the project lies in the great significance of the collection for the historical-musical heritage of São Paulo and Brazil, considering not only the accumulation of printed musicographic documents, intended for current use by students, but also the numerous donations of printed documents or manuscripts and entire collections, by bands, alumni, composers or their families. For the planned actions, an agreement was signed between São Paulo State University (UNESP), São Paulo Municipal Theater Foundation, and Sustenidos Social Organization of Culture, which currently manages the educational and artistic activities of the mentioned Foundation.
Key words. Historical musical heritage. Musicographic collection. Archival processing.
1. Introdução
A presente comunicação aborda, a partir de uma perspectiva arquivística, a coleção musicográfica do antigo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo (CDMSP),
acumulada desde sua fundação em 1906 até sua declaração de utilidade pública em 2006, a
* Instituto de Artes da UNESP (São Paulo - SP), livre-docente, financiamento FAPESP e CNPq. “Instituto de Artes da UNESP (São Paulo - SP), doutor.
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partir de compras e doações de pequeno, médio e grande porte, por parte de familiares de
musicistas e de bandas da cidade de São Paulo.
O problema que motiva este trabalho é a falta de ações arquivísticas adequadas à natureza e significado dessa coleção musicográfica e a falta de conhecimento sistemático do seu conteúdo, apesar do interesse acadêmico, histórico e artístico ao seu respeito, bem como a falta de condições atuais para a pesquisa (interna ou pública), embora esse tenha sido o propósito de sua declaração de utilidade pública em 2006. Ainda que algumas pesquisas relevantes tenham sido realizadas nessa coleção ao longo do século XX, com destaque para a localização de cópias manuscritas de obras de André da Silva Gomes (1752-1844) por parte de Clóvis de Oliveira (1954) e de Régis Duprat (1995), e a localização das partituras orquestrais manuscritas das seis Sinfonias de João Gomes de Araújo (1846-1943), com a transcrição e apresentação pública de duas delas em concertos no Estado de São Paulo entre 2012 e 2014 (Salgado, 2014: 98-121), seu grande potencial de uso em apresentações, gravações, publicações musicográficas, projetos de pesquisa, documentários e outros está praticamente inexplorado.
O trabalho está fundamentado em obras gerais sobre o processamento de arquivos, como as do Conselho Internacional de Arquivos (2000), do Conselho Nacional de Arquivos (2006), da International Association of Music Libraries, Archives and Documentation Centres (1991) e de André Porto Ancona Lopez (2002), assim como em obras específicas sobre acervos musicais históricos, como os de Esteban Cabezas Bolaãios (2005), Pedro José Gómez
González (2008) e Janice Gonçalves (1998).
2. Breve histórico da incorporação do acervo à Fundação Theatro Municipal
O Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, fundado em 1906 como instituição privada, vinha atravessando dificuldades econômicas e solicitando sucessivos auxílios à Prefeitura de São Paulo desde as últimas décadas do século XX, além de ter passado por um período de intervenção do Estado de São Paulo (MACHADO, 2009). Em função do risco acarretado por tal situação, o então prefeito José Serra assinou, em 14 de março de 2006, o Decreto municipal nº 47.080, que declarou “de utilidade pública, para ser desapropriado judicialmente ou adquirido mediante acordo, o acervo de partituras, livros e prontuários do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo” (SÃO PAULO, 2006), ao passo que o
seguinte prefeito Gilberto Kassab assinou, em 27 de maio de 2011, a Lei municipal nº 15.380
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(SÃO PAULO, 2011), que criou a Fundação Theatro Municipal de São Paulo (SÃO PAULO, 2011) e determinou, no Capítulo X, Artigo 44:
O Centro de Documentação e Memória fica responsável pela guarda do acervo do Theatro Municipal, da Discoteca Oneyda Alvarenga e do Conservatório Dramático e Musical nos mais variados suportes, competindo-lhe a catalogação, preservação, armazenamento e sistematização de documentos e coleções, bem como gerir e programar o Museu do Theatro Municipal (SÃO PAULO, 2011, Cap. X. Art. 44).
A remoção do acervo documental, bibliográfico e musicográfico não ocorreu de uma só vez e, como consequência, apenas uma parte (aqui denominada Seção A) foi transferida ao Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000, bairro do Paraíso, São Paulo) para processamento arquivístico, enquanto a outra (aqui denominada Seção B) permaneceu em poder do Conservatório Dramático e Musical, quando este se instalou, em caráter provisório, no Centro Universitário da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI, à Avenida Tamandaré, 688 (bairro da Liberdade, São Paulo). Em 9 de abril de 2015, foi lavrado um Termo de Entrega de Bens à Municipalidade de São Paulo,! que resultou na transferência desse material que estava na FEI para o recém-inaugurado Centro de Documentação e Memória do Complexo Theatro Municipal de São Paulo, à Praça das Artes (Avenida São João, São Paulo), edificação cuja primeira fase havia sido concluída em 2012 (e a segunda fase em 2019).
O referido Termo de Entrega da Seção B indicou a transferência de 328 caixas tipo papel de impressora (com aproximadamente 43 cm x 30 cm x 20 cm), 198 pacotes de diversas medidas, 28 quadros, 13 cartazes antigos e um harmônio, removidos para o Centro de Documentação e Memória do Complexo Theatro Municipal de São Paulo e quase todos provisoriamente alocados no segundo andar (espaço originalmente destinado às instalações de ar-condicionado do edifício e, portanto, inadequado para esse tipo de documentação). Após exame preliminar, esse material revelou conter documentos administrativos do Conservatório Dramático e Musical, livros, fotografias, documentos musicográficos impressos e manuscritos, objetos e itens documentais variados, com um volume de caráter monumental, estimando-se que cerca de um quarto de tal Seção possa ser constituído de documentos musicográficos.
Paralelamente, a coleção musicográfica transferida para o Centro Cultural São Paulo foi higienizada e acondicionada em 506 caixas-arquivo polionda brancas e mais 66 pacotes de
invólucro plástico transparente, após contrato firmado entre uma empresa privada e a
! PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO. Termo de Entrega de Bens, 9 abr. 2015. 2 p. Cópia no arquivo da Fundação Theatro Municipal de São Paulo.
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Municipalidade de São Paulo, tendo sido esta seção transferida para o Centro de
Documentação e Memória do Complexo Theatro Municipal de São Paulo em 2021, logo após ter assumido sua administração a Sustenidos Organização Social de Cultura.? Durante esse mesmo ano, a instituição providenciou estantes de aço para a disposição do material, juntamente com a coleção bibliográfica e a parte já organizada do arquivo administrativo do
CDMSP, o que possibilitou nosso exame preliminar (Figura 1).
Figura 1. Sessão de exame preliminar de documentos da Seção A da coleção musicográfica do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, no Centro de Documentação e Memória do Complexo Theatro Municipal de São Paulo (Praça das Artes, Avenida São João, São Paulo). Foto de Guilherme Lopes Vieira (Sustenidos/FTMSP).
Por outro lado, a totalidade dos materiais provisoriamente depositados no segundo andar do Centro de Documentação e Memória do Complexo Theatro Municipal de São Paulo, correspondente a 328 caixas e 198 pacotes, aguarda tratamento por parte da instituição e seu tratamento encontra-se ainda em negociação.
Após sua recepção em 2021, a Seção A da coleção musicográfica do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo foi distribuída em vinte estantes de aço de cinco prateleiras,
as quais constituem “ruas” com oito estandes, sendo quatro delas voltadas para apenas um dos
2 Disponível em: <https://www.sustenidos.org.br>
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lados da “rua” (Figura 2). Como o Centro de Documentação e Memória abriga a porção
higienizada e acondicionada tanto da coleção musicográfica, quanto documental e bibliográfica, esta última encontra-se disposta da Rua 5-esquerda, Estante 1, Prateleira 1, Caixa 1, até a Rua 7-direita, Estante 4, Prateleira 5, Maço 10, numeração que, de frente para as ruas, progride da direita para a esquerda, em função de sua posição em relação à porta de
entrada do Centro de Documentação e Memória do Complexo Theatro Municipal de São
Paulo.
Figura 2. Aspecto da Seção A da coleção musicográfica do Centro de Documentação e Memória do Complexo Theatro Municipal de São Paulo, no qual se observa parte da Seção A da coleção musicográfica do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo (caixas polionda brancas, à esquerda). À direita parte da coleção bibliográfica. Foto: Paulo Castagna.
Embora entregue à Municipalidade após higienização e acondicionamento dos documentos em invólucros plásticos, dentro das 506 caixas polionda brancas (para os documentos de pequenas dimensões) (Figura 3) e dos 66 pacotes (para os documentos de grandes dimensões) (Figuras 4 e 5), não foi realizada a codificação individual dos itens documentais e sua organização não foi plenamente realizada: as etiquetas das caixas designam instrumentos ou formações musicais específicas (piano, canto e piano, orquestra, banda,
violão, etc.), porém o seu conteúdo é variado e somente em parte relacionado às mesmas
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etiquetas; paralelamente, inúmeras edições ou cópias de uma mesma obra por um mesmo
editor ou copista e na mesma data foram desmembradas em invólucros distintos e, muitas vezes, em caixas diferentes. Quanto à inventariação, foi realizada apenas uma transcrição abreviada e incompleta de autor e título dos itens de cada caixa, sem identificação do documento à que se refere. Falta, portanto, a organização completa desse acervo a partir de critérios claros e eficientes, além da realização de um inventário que permita o conhecimento do seu conteúdo e a localização das obras e documentos musicográficos específicos, que
permita o início da pesquisa no acervo.
Figura 3. Seção B da coleção musicográfica (não processada) do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, no Centro de Documentação e Memória do Complexo Theatro Municipal de São Paulo, ainda indisponível para pesquisa. Foto: Paulo Castagna.
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Figuras 4 e 5. Aspecto geral da “Rua” 7 do Centro de Documentação e Memória, na qual estão visíveis parte das 506 caixas polionda brancas (para documentos de pequeno formato) e, no fundo e à esquerda, os 66 pacotes (para documentos de grande formato) da Seção A da coleção musicográfica do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Fotos: Paulo Castagna.
Faltam, portanto, uma reorganização que permita nova classificação e ordenação
(quando possível pelo reagrupamento dos documentos de mesma procedência, especialmente para acervos musicográficos de bandas e de compositores), codificação e soluções de acondicionamento mais condizentes com a unicidade e fragilidade dessa documentação (como a utilização de invólucros e de caixas de qualidade arquivística, além da instalação de estantes deslizantes), que somente podem ser realizadas em sucessivos projetos ao longo de vários anos de trabalho.
Em função do seu volume (abaixo estimado), esta aparenta ser a terceira maior coleção musicográfica pública brasileira (menor apenas que as da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e da Biblioteca Alberto Nepomuceno da Escola de Música da UFRJ) e, portanto, a maior coleção musicográfica pública brasileira fora da cidade do Rio de Janeiro. A referida coleção também parece ser maior que os arquivos privados da Orquestra Ribeiro Bastos e da Orquestra Lira Sanjoanense (ambas da cidade de São João del-Rei - MG), inferior apenas na quantidade de obras sacras.
A relevância da coleção musicográfica do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo está não apenas na quantidade dos seus itens, mas principalmente no seu significado
arquivístico, histórico, cultural e artístico, referente não apenas aos 100 anos de acumulação
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de documentos contemporâneos à instituição, que conta com obras de vários de seus destacados professores, como João Gomes de Araújo (1846-1943), Agostino Cantá (1878- 1943), Camargo Guarnieri (1907-1993) e vários outros, mas também aos arquivos doados ao mesmo por compositores ou seus herdeiros — como João Pedro Gomes Cardim (1832-1918), Carlos de Campos (1866-1927) e João Gomes Junior (1868-1963) — e aos arquivos de bandas e corporações musicais entregues ao Conservatório, como as da São Paulo Light and Power Company, da Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC), da Sociedade Musical Carlos Gomes do Bairro da Mooca e outras.
Neste sentido, é interessante ressaltar a diversidade cronológica, estilística e expressiva da referida coleção musicográfica, que além de peças brasileiras e internacionais compostas nos séculos XVIII, XIX e XX (a maioria editadas ou copiadas a partir de meados do século XIX), inclui obras com muitas funções artísticas, como ópera, música sacra e de concerto em distintas formações (música orquestral, camerística, solística, canções, etc.), composições originais para banda, música popular em diversos tipos de arranjo (melodias sem acompanhamento, instrumento solo, canto e acompanhamento cifrado, pequena orquestra ou cine-orquestra, banda, etc.), hinos cívicos e políticos (figuras 6 a 9), o que dá a esse acervo
uma relevância singular entre as coleções musicográficas de São Paulo e do Brasil.
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Figuras 6 e 7. Documentos da Seção A da coleção musicográfica do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. 6-Esquerda: Marchas para banda de sopros copiadas por Arthur Affonso Branco, regente da Banda da Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC), São Paulo, em 1951. 7-Direita: fragmento de 4 Bella Adormecida (1924), opereta de Carlos de Campos (1866-1927), Governador do Estado de São Paulo de 1924 ao seu falecimento. Fotos: Paulo Castagna.
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A partir dos exames já realizados (Figura 1), foi possível constatar a existência, nesse
acervo, de grande número de obras que não figuram em outras bibliotecas do Estado de São Paulo ou mesmo do Brasil, sendo muitas delas edições raras ou manuscritos únicos. O processamento e abertura de tal coleção à pesquisa pública permitirá completar fontes que estão incompletas em outros acervos brasileiros, preencher lacunas temporais e estilísticas, mas sobretudo ampliar significativamente a compreensão de processos e dinâmicas culturais, expressas em repertórios de composições históricas paulistas e brasileiras, o que motivará a realização de inúmeros projetos didáticos e de pesquisa, apresentações, gravações e publicações que terão impacto na vida cultural certamente da capital, mas também de muitas
outras cidades deste Estado e do país.
Figuras 8 e 9. Documentos da Seção A da coleção musicográfica do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. 8-Esquerda: segundo ato manuscrito da ópera Yugomar (s.d.), de João Gomes Junior (1868- 1963). 9-Direita: O Turuna: Methodo pratico para aprender a tocar o violão sem precisão de mestre (s.d.), por Paranaguá. Foto: Paulo Castagna.
3. Projeto de organização, codificação e inventariação emergencial da Seção A
Neste ano de 2022 foi celebrado um convênio entre a Universidade Estadual Paulista
(UNESP), a Fundação Theatro Municipal de São Paulo (FTMSP) e a Sustenidos Organização
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Social de Cultura? (que administra as atividades desta Fundação), destinado ao primeiro dos
projetos de tratamento da Seção A da coleção musicográfica do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, cujo objetivo é possibilitar, por meio de sua organização, codificação e inventariação, o acesso público à Seção A dessa coleção.
Para esta etapa, contamos com trabalhos relacionados à gestão de fundos, especialmente musicográficos, como os de Esteban Cabezas Bolafios (2005), Pedro José Gómez González (2008), Pedro José Gómez González e Raúl Vicente Baz (2008), Janice Gonçalves (1998) e André Porto Ancona LOPEZ (2002), além de adotar uma seleção apropriada de elementos de descrição, a partir de corpos normativos referenciais, como os do IAML (1991), RISM (1996), CIA (2000), CONARQ (2006) e CTDAISM-CONARQ (2018), além da experiência própria nesse tipo de trabalho (CASTAGNA, 2004, 2016, 2019a, 2019b, 2018).
Paralelamente, será iniciado o levantamento da história arquivística de tal acervo, o que foi feito em raras ocasiões no Brasil, como foi o caso do Museu da Música de Mariana (CASTAGNA, 2013), mas realizado para acervos mais antigos e de grande porte, como a Biblioteca Real Portuguesa, que deu origem à Biblioteca Nacional do Brasil (SCHWARCZ, COSTA, AZEVEDO, 2002). Para tanto, serão consultados documentos relacionados à aquisição, doação e descrição de itens da biblioteca em seu período ativo, assim como fichários, listas e inventários preservados, fotografias e registros que possam existir a esse respeito, como os das Figuras 8 a 11. Além disso, serão realizadas buscas em hemerotecas digitais, especialmente a Hemeroteca Digital Brasileira da Biblioteca Nacional do Brasil (Rio de Janeiro)* e os acervos digitais dos jornais O Estado de S. Paulo? e Folha de S. Paulo,
visando localizar informações que evidenciem aspectos da história desse acervo.
3 Processo 2100.0875/2022 no SisConvênio Unesp. * http://memoria.bn.br/
3 https://acervo .estadao.com.br/
é https://acervo.folha.com.br
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ONO SINOIU A SOCINDADE MUSICA * CAMOS 00UHS * TO BAIRRO DA MOOCA NA CAPITA 18 SÃO PAMO LISOS STO AS+ Es Parte histórica extraids do Dlêrio Oftsiry do 21/07/3093 Va grupo ds trebejhadoros, senhores Prigo Tonso, Tuts Sen- cri, Angojo Pessto, Quido Fomnato, Paujo Roversi, Pino Poverst, - CONSERVATORIO amemjo Porsusto, Emile Senéri, Merio Frnento Casti) lont à cutros Que viorna de Itáyin so terem completado uma das senanne de traba DRAMATICO E MUSICAL sho, há 57 anos atrás e Justemonto rum súbnco, depote de ur Jôgo 60 enrtos e Jôgo do móra, no bar cos iraãos Rovers! na rua Taquar!, DE SÃO PAULO um dos o 'omentor tove o Liota do former uma benda de mántcas TrebrJbevan no Cotonirieio Conde Rodospho Cresplt Tondo a Idein propóste sido seeita polo grupo do trabalhe- dores, consgoue st a trator dos porssnores da ertação da Sociodnce Musica), que en hozenagem so grande méstro ds música, pos passe =
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FUNDADA EM 15 DE FEVEREIRO E INSTALLADO A 1.º DE MARÇO DE 1906
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TYPOGRAPHIA ANDRADE C. MELLO SECRETÁRIO TESOUREIRO Antonio Rampazzo José Marques Gonçalves
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Figuras 8 e 9. Documentos da coleção administrativa do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, do Centro de Documentação e Memória do Complexo Theatro Municipal de São Paulo. 8-Esquerda: Estatutos do CDMSP (1905). 9-Direita: Histórico da Sociedade Musical Carlos Gomes do Bairro da Mooca, São Paulo, cujo acervo musicográfico foi parcialmente doado ao CDMSP. Fotos de Paulo Castagna.
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Figuras 10 e 11. Documentos da coleção administrativa do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, do Centro de Documentação e Memória do Complexo Theatro Municipal de São Paulo. 10-Esquerda: Inventário geral da biblioteca em 1938. 11-Direita: Livro de doações e compras (1961-1974) da biblioteca. Fotos de Paulo Castagna.
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4. Considerações finais
O projeto de organização, codificação e inventariação emergencial da Seção A da coleção musicográfica do antigo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, iniciado em 2022, permitirá, ainda que emergencialmente, a consulta dos seus itens por parte dos pesquisadores, o que, a médio prazo, apresentará considerável impacto social, artístico e acadêmico, na forma de apresentações públicas, gravações, projetos de pesquisa de vários níveis, publicação de partituras, comunicações, artigos, capítulos e livros, produção de vídeos e documentários, aulas, palestras, disciplinas e cursos, e várias outras ações de caráter cultural e científico, por parte das pessoas e instituições interessadas.
Naturalmente, serão necessários vários outros projetos destinados à solução dos demais problemas da Seção A deste acervo, como uma organização mais funcional e um acondicionamento adequado, a digitalização e disponibilização online dos documentos manuscritos e dos impressos raros, mas o início do processamento da Seção B também é uma urgência, que requer a conclusão das negociações a respeito, para iniciar a mobilização de
equipes de trabalho voltadas à realização de todas as etapas do seu processamento arquivístico.
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